Dom Vincenzo Paglia critica intervenção do Vaticano no projeto de lei contra a homofobia na Itália

Foto: Pixabay

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02 Julho 2021

 

Um dos principais arcebispos da Cúria Vaticana criticou a intervenção da Santa Sé no debate sobre o projeto de lei na Itália para incentivar proteções contra a discriminação de pessoas LGBTQIA+. Porém, o arcebispo também criticou o projeto de lei.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 01-07-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O arcebispo Vincenzo Paglia, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, comentou sobre a polêmica do então chamado “Projeto de Lei Zan” durante um painel de discussão. Paglia afirmou que a nota verbale enviada pela Santa Sé à Itália foi um erro, enquanto que o projeto de lei “é um problema a respeito apenas da república italiana”. Ele continuou, de acordo com o Crux:

“Não tem nada a ver com a concordata”, referindo-se ao Tratado de Latrão, de 1929, o qual estabeleceu a Cidade-Estado do Vaticano como uma entidade soberana e quais seriam as relações de governo entre Itália e Santa Sé.

“Então, para mim, essa nota, na minha opinião, não deveria ter sido escrita. Absolutamente não”, afirmou.

Mas o arcebispo também disse que “houve erros dos dois lados”, comentando:

“O projeto de lei, pelo que li e estudei, é pobre”, disse. “Identifica um problema, mas não ajuda a resolvê-lo. É mais um manifesto, e como um manifesto, é bom, mas se você traduzi-lo para a linguagem legislativa, dever escrito precisamente...”.

Em sua fala, Paglia recordou que em um discurso, meses atrás, quando a Lei Zan estava começando a ser discutida, ele encorajou “uma profunda reflexão conjunta para reformular a letra legislativa que, para mim, estava muito superficial, especialmente em alguns artigos”.

“No momento, o projeto de lei amontoa o problema da homofobia com outras questões, como deficiência e feminismo, disse ele, acrescentando que há 'curtos-circuitos' no projeto que em um texto você pode fazer, mas para uma proposta legislativa pode causar problemas”.

Embora o projeto de lei Zan possa incluir erros percebidos, sua intenção de combater a discriminação anti-LGBTQIA+ é uma meta digna, de acordo com Paglia. Ele disse: “Que o problema [homofobia] existe é óbvio; que deve ser combatido é ainda mais óbvio”. O projeto de lei Zan “traz à tona uma questão muito importante que deve ser enfrentada”, mas a lei italiana já é adequada para combater a discriminação deste tipo, acrescentou o arcebispo.

Os comentários de Paglia contradizem os de outro alto funcionário do Vaticano, o secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, que no início desta semana defendeu a intervenção da Santa Sé sobre o projeto de lei Zan. Parolin, no entanto, também afirmou a necessidade de combater a discriminação anti-LGBTQIA+.

Com as críticas de Paglia, agora existem dois resultados notáveis e positivos no que, de outra forma, seria uma história negativa. Em primeiro lugar, é bom que um oficial graduado da Igreja como o arcebispo desafie tão abertamente uma ação do Vaticano, especialmente quando esse arcebispo é um aliado do Papa Francisco. Esse estilo de discordância aberta e transparente é, na verdade, bastante saudável para uma Igreja onde o sigilo e o verniz da unidade causaram tantos males.

Em segundo lugar, ao discutir o projeto de lei Zan, as objeções da Santa Sé, bem como as de Parolin e Paglia, foram todas focadas nos detalhes técnicos do projeto de lei e como ele pode impactar as instituições da Igreja, não o objetivo geral do projeto em relação aos direitos LGBTQIA+. Na verdade, tanto o cardeal quanto o arcebispo afirmaram explicitamente a necessidade de proteger legalmente as pessoas LGBTQIA+ da discriminação. Comparada com as posições anteriores do Vaticano sobre os direitos civis LGBTQIA+, essa mudança é significativa.

Foi um erro da Santa Sé intervir na política italiana. Mas, como em muitos casos, essa situação parece ser aquela em que o progresso pode surgir do erro.

 

Nota do Instituto Humanitas Unisinos – IHU

 

No dia 21 de julho de 2021, às 10h, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU realiza a conferência A Inclusão eclesial de casais do mesmo sexo. Reflexões em diálogo com experiências contemporâneas, a ser ministrada pelo MS Francis DeBernardo, da New Ways Ministry – EUA. A atividade integra o evento A Igreja e a união de pessoas do mesmo sexo. O Responsum em debate.

 

A Inclusão eclesial de casais do mesmo sexo. Reflexões em diálogo com experiências contemporâneas

 

 

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